domingo, 27 de julho de 2014

Cheverny é Moulinsart



Para quem não sabe, eu sou super fã de quadrinhos, principalmente daquele estilo franco-belga que mistura tramas com bom humor e trocadilhos. E é claro que Tintin sempre teve um lugar especial no meu coração, até porque além dos álbuns geniais do Hergé, as aventuras do jornalista também contam com excelentes adaptações de desenho e filme que pude curtir desde a infância até hoje.

Pois bem, quem acompanha as histórias de Tintin, Milou e seus companheiros já deve ter ouvido falar que a residência do Capitão Haddock - o castelo de Moulinsart - foi inspirado em um dos castelos do vale do Loire: Cheverny.

Desenho exibido no castelo comparando Moulinsart do Haddock (parte central) com Cheverny (com suas torres laterais)







Living the dream :)

Pois bem, só pela semelhança visual, Cheverny já se tornou automaticamente um must no meu roteiro.

O que eu não imaginava era que o castelo tivesse aproveitado tão bem esse público fã de Hergé (que não é pequeno na França e no resto da Europa): além da visita tradicional ao castelo, um dos prédios anexos do terreno se tornou um "Tour Tintin", com recriações de histórias - focando nas que foram ambientadas em Moulinsart - além de originais do Hergé emoldurados. Muito amor!

A alegria da criança ao ver o Tintin já no estacionamento

Começamos a visita pelo castelo e jardins. Para não dizer que o castelo só atrai os quadrinófilos, Cheverny é considerado o castelo mais bem mobiliado do Loire. Realmente deu vontade de morar! E os jardins, embora mais sutis que Villandry, estavam uma graça e providenciaram meu primeiro "momento-tulipas" da viagem.

Biblioteca / Sala de Música



Le Grand Salon - todo teto e parede decorados

Jardins vistos de dentro do castelo

Momento tulipas!!
O parque do castelo ainda conta com um canil

Cruzamento de fox hound britânico com o poitevin francês

E ao lado do canil, temos o edifício que abriga a exposição sobre Tintin, recriando Moulinsart e suas histórias.


Exterior do prédio com imagens de Tintin, Haddock e cartazes que aparecem no Trésor du Rackham le Rouge


Pegadinhas do Milou mostram o caminho da exposição

Recriação da descoberta do tesouro do Rackham Le Rouge

Cama do tintin

A maquete da Licorne do Le Secret de la Licorne e o quadrinho em que ela aparece na direita

Susto!

Laboratório do Prof. Girassol com vista para Moulinsart

Processo de criação dos quadrinhos lindos do Hergé

Visita imperdível para fãs de Tintin de todas as idades :)



Informações Práticas

Site oficial do Château de Cheverny: www.chateau-cheverny.fr

Preço: 9,50 euros (apenas Castelo) ou 14 euros (Castelo + expo Tintin e os segredos de Moulinsart)

Descontos: Menores de 18 anos, Estudantes e Grupos

Estacionamento: Há vagas gratuitas bem próximo ao local

Horário: Depende muito da época do ano. Tem detalhes nessa página do site oficial.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Jardins de Villandry



Já falei no post do nosso roteiro do Loire que o castelo de Villandry foi nossa principal aposta para a região por estampar a capa de diversos guias turísticos com seus majestosos jardins.


Jardins de Villandry nas capas dos guias Michelin

Como já dá para ver na foto de cima, os jardins decorados são a grande marca do castelo, e a cada época do ano são recheados de flores de coloração distintas. Como fomos na primavera, o jardim estava enfeitado com tulipas. São flores lindíssimas, mas têm a desvantagem de exigir um espaçamento maior entre elas, diminuindo o impacto colorido no panorama.

Tulipas!!

Panorama

Villandry é o único dos castelos que visitamos que permite adquirir ingressos apenas para o Jardim, sem pagar a mais pela visita do castelo (o esquema mais parecido com esse que vimos foi em Versalhes). E foi exatamente o que optamos, pois estando no final de nosso roteiro, já estávamos um pouco cansados da visita tradicional dos castelos, observando cômodo a cômodo.

Os jardins são imensos e bem segmentados, quase categorizados por estilo, porém interagindo harmonicamente entre si.

Mapa dos jardins e suas segmentações

Passeando nos jardins

Foto tirada com o timer da câmera - vista para um dos segmentos e castelo ao fundo

Parte lúdica da visita - selecione para harmonizar os jardins

O terreno compreende mais do que os jardins ornamentais. Há um lago com entorno mais "clean" e trilhas para belvederes (mirantes). Infelizmente a subida é em uma florestinha, então a partir de certo ponto quanto mais a gente sobe menos a gente vê pelas árvores à nossa frente.

Laguinho relax

Cachoeirinha

Vista do mirantezinho
Tudo junto! Ou quase

No nosso tempo curto de visita bateu uma curiosidade de como é dentro do castelo! A arquitetura do edifício em si, apesar de não tão trabalhada quanto Chambord, agradou bastante!

Chatô

Alguém já visitou lá dentro? Comentem como foi a experiência! :)

Informações Práticas

Site oficial do Château de Villandry: www.chateauvillandry.fr

Preço: 10 euros (Castelo e Jardins) ou 6,50 euros (apenas Jardins)

Descontos: Menores de 18 anos e Grupos

Estacionamento: Há vagas gratuitas na rua em frente; bicicletário na entrada

Horário: Depende muito da época do ano. Tem detalhes nessa página do site oficial.

sábado, 19 de julho de 2014

A gente precisa ver o Loire


Escolher castelos para visitar no vale do Loire não é tarefa fácil. Não à toa existem diversos guias especializados da região.

Mas eu e Be até que conseguimos montar um roteirinho que conciliasse:
  1. as principais cidades da região;
  2. os castelos imperdíveis;
  3. apostas nossas em função do que pesquisamos e
  4. passeios ligados a nossos interesses pessoais.
Obs.: Os links do texto abaixo são para outros posts do blog, com detalhes e informações práticas de cada uma das atrações selecionadas. Não deixem de clicar :)

Saímos direto do aeroporto internacional Roissy - Charles de Gaulle (CDG) com um carro alugado e demos uma voltinha na região até voltar para Paris. O roteiro dessa forma também permitiu visitar atrações fora do vale do Loire: o castelo de Fontainebleau, a cidadezinha de Vendôme e a catedral de Chartres.

Trajetória poligonal - a região em destaque é dos castelos do Loire

1. Passeando nas cidades:

Uma decisão polêmica que tomamos foi de passar cada noite em uma das principais cidades da região. Sinceramente fiquei bem satisfeita de termos feito isso, porque tendo escolhido uma época do ano em que o anoitecer era lá para às 8h30 da noite, pudemos passar os dias nos castelos e à noite dar uma volta nas ruas do centro histórico e jantar. Além disso, foi bom variar pois quando chegávamos nas cidades não tinha muita coisa aberta (infelizmente não conseguimos nem entrar nas catedrais - e já tínhamos decidido não visitar os castelos de Blois e Amboise).

Outro ponto positivo foi otimizar a logística e tentar um caminho sem muitas idas e voltas. Depois de termos dirigido tanto no oeste dos EUA, minimizar o tempo no volante pareceu uma excelente opção.

Orléans

Tida como a cidade da Joana d'Arc (apesar de ela ter passado por muitas ao longo de sua vida), Orléans traz muitas homenagens à líder militar que recuperou a cidade na ocasião da guerra dos cem anos.

Além da catedral linda, é possível visitar a casa da Joana d'Arc, mas como disse antes pegamos tudo fechado :(

Catedral de Orléans

Blois

A principal atração de Blois é o castelo, cuja fachada já impressiona por seu estilo bem diferente dos demais da região. Não entramos para visitar, mas passeamos por locais bem agradáveis em torno dos locais históricos da cidade. A geografia é menos plana que Orléans, tendo locais com vistas bem simpáticas para o rio. Também encontramos uma estátua da Joana d'Arc lá, embora aparentemente ela só tenha pernoitado em Blois a caminho de Orléans.

Fachada do castelo de Blois

Amboise

Essa cidade não dormimos, mas demos uma volta para ver o castelo do lado de fora e o local onde Da Vinci passou seus últimos anos (Château du Clos Lucé). As margens do rio enfeitadas de flores foram top!

Eu e o castelo de Amboise ao fundo (no alto)

Be no Clos Lucé

Tours

De todas foi a cidade que menos conhecemos, pois focamos em achar um pub para ver o Paris Saint Germain perder para o Chelsea nas eliminatórias da Liga dos Campeões (muita comemoração dos torcedores do Olympique de Marseille). Ainda assim, deu para perceber que se trata da maior e mais movimentada cidade das quatro. A cidade também conseguiu compor muito bem seus prédios históricos com intervenções urbanas mais modernas.



2. Castelos hits:

Chambord

Chambord foi o castelo mais majestoso que vimos em termos de arquitetura - por fora e também por dentro, com diversas referências ao brasão do François 1er e a grande atração das escadarias "duplas" que eu prefiro descrever como em formato de DNA.

Be em Chambord - infelizmente uma das torres estava no meio da restauração

Chenonceau

Chenonceau é daqueles que a gente vê em fotos e sente na hora um "preciso conhecer esse lugar". Mas não é só a arquitetura do castelo-ponte que impressiona: a história do castelo ao longo dos anos também valoriza bastante a visita.

Be e eu em Chenonceau

3. Nossa Aposta:

Villandry

Depois de ver as imagens de Villandry estampadas nas capas de diversos guias da França e do Vale do Loire, além de recomendações em nossas pesquisas na internet, decidimos que essa seria nossa aposta na região. Muito bem sucedida por sinal, ver jardins tão lindos e bem cuidados é uma excelente quebra das visitas tradicionais a castelos - que consiste basicamente em passear cômodo por cômodo.

Um looshoo

4. Escolhas pessoais:

La Ferté Saint-Aubin

Mini castelo fofíssimo

Principal locação do filme "A Regra do Jogo" de Jean Renoir, esse castelo foi o fator de motivação do Be para visitar a região. Além de conhecer as escadarias do filme, o mini-castelo também agradou pela demonstração na cozinha de como fazer Madeleines ao mel - com direito a degustação! Hmmm...

Be nas escadarias (em cima) e cena do filme do Renoir
Receitinha

Cheverny

Quis muito conhecer esse castelo por ter inspirado o Hergé a desenhar o castelo de Moulinsart do capitão Haddock. E a fã de Tintin aqui não esperava que o castelo fosse tão dedicado aos fãs da série!

Eu em Cheverny (em cima) / Cap. Haddock e Tintin em Moulinsart (embaixo)

O trajeto entre as atrações também foi especial: passando por mini cidades fofas e campos floridos!

Pretendo entrar mais no detalhe de alguns desses castelos, prometo ir voltando aqui pra acrescentar os links a cada post que eu fizer.

P.S.: Para quem não entendeu o título:



Update!

Finalmente terminei os posts, já coloquei todos os links no texto lá de cima.

Mas para quem é metódico e quer ler na ordem do passeio, segue a ordem de nosso roteiro:

Não percam também o post que fiz contando nossa experiência nas estradas da França!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Os cadeados polêmicos


Outro dia vi uma notícia circulando na internet falando sobre parte da Pont des Arts ter cedido e que muitos associavam isso ao peso dos já tradicionais "cadeados do amor" presos na ponte.

Antes mesmo disso já tinha ouvido falar que esses cadeados com as iniciais dos casais eram mal vistos por muitos franceses, mas meio que desconsiderei. Não estava mais lá para opinar, e além disso fiquei feliz de ver muitas amigas minhas sorridentes ao deixar um registro da sua estadia com seus respectivos. Em todo caso, melhor isso do que ferir uma árvore com um estilete, era minha filosofia.

Mas depois de cinco anos eu voltei para Paris abril passado e tive que reconhecer uma impressão negativa do fênomeno - ou ao menos da proporção que ele tomou.

Vejam como era a Pont des Arts em 2009. Na ocasião não tive a preocupação de capturar a grade em minhas fotos, pois não sabia o que estava por vir, mas ainda assim dá pra ver que não tinha NENHUM cadeado.


Priminha Natália na ponte - Foto tremida, mas ainda assim postei para enfatizar a ausência de cadeados

A Pont des Arts era um dos meus cantinhos queridos de Paris. Uma ponte de pedestres sobre o Sena em que o pessoal se reunia de noite para tocar violão, fazer picnics e jogar conversa fora. Basicamente meu programa preferido no intercâmbio.

Eu na ponte (bombando!) no entardecer - e a vista do Sena através das grades

Mais uma da visita da Nat em 2009 - nenhum cadeado nas grades

Qual não foi minha surpresa agora em 2014 de ver uma ponte no Sena que brilhava ao longe.


Não era por aqui a Pont des Arts?

Não havia mais tanta gente relaxando na ponte - nem eu senti essa vontade, pois só de parar para fotografar fui abordada por diversos camelôs que vendiam cadeados ali mesmo, além de pilot permanente para você escrever as iniciais ali na hora.

O passeio era como uma exposição de cadeados, uma instalação interativa ou algo assim.


Se joga nos cadeado tudo

Além disso, nem dava tanto ânimo de repetir o gesto, por mais romântica que estivesse minha visita à cidade luz com meu chéri, pois visivelmente o tal símbolo de eternidade não durava muito tempo até alguém (provavelmente das autoridades francesas) vir e remover os cadeados por blocos.

Antes e depois

Alguns locais eram tão lotados de cadeados que para colocar mais só na criatividade (e risco de queda! como colocaram lá no alto do poste?).

Levaram escada pra ponte?


E o que mais me assustou foi ler na notícia lá de cima que parte da tradição envolve jogar as chaves na água! Fiquei impressionada de nenhum bâteau-mouche ter encalhado na montanha de chaves... 

Enfim, não quero contrariar esse gesto que já virou tradição pelo mundo (vimos cadeados também em nossa road trip americana).

Mas sério, se quiserem colocar cadeado, por favor levem a chave pra casa e emoldurem. Vai ficar fofo, vai ser um souvenir mais duradouro que os cadeados retirados de tempos em tempos e não vai atacar o meio ambiente.

ATUALIZAÇÃO:

Parece que esse registro vai se tornar histórico! Segundo essa notícia que mamãe me passou, a prefeitura está trocando as grandes por painéis de vidro para dar adeus aos cadeados.

domingo, 6 de julho de 2014

Adeus, cine Leblon


Não é fácil colocar em palavras minha preferência por cinemas de rua. As palavras que vêm à minha cabeça são intangíveis e subjetivas como “charme”, “vibe” e “clima”. Talvez seja mesmo uma preferência irracional se compararmos com as vantagens técnicas dos complexos multi-salas, com diversas opções de filme e horários intercalados, mais fácil de achar algo que atenda a agenda e preferências de um grupo, por exemplo.

Mas de alguma forma essa percepção se traduz na minha memória seletiva. Os filmes que vi no cinema Leblon tiveram a localização como fator marcante: lembro que vi lá Toy Story aos meus 8 anos e ao fim do filme caminhei pelas ruas com meus pais comentando sobre o conceito dos brinquedos tomarem vida na ausência dos humanos. Já Toy Story 2, lançado 4 anos depois, lembro de ter ido com um grupo de amigas ver em algum shopping da Barra, mas não lembro qual deles foi. A regra se aplica da mesma forma a cinemas de rua que frequentei menos, como o saudoso Paissandu e o Roxy (onde vi Ace Ventura e virei fã do Jim Carrey). Já as memórias dos multiplex se confundem - lembranças de filmes em salas genéricas, padronizadas, em que não consigo etiquetar a localização em minha memória.

Dá para suspeitar da causa dessas lembranças mais claras que outras. A própria arquitetura desses cinemas de rua, com seus halls de entrada majestosos (sem falar no incrível ‘fumoir’ do Paissandu) já tornava a experiência mais marcante, seja nos filmes cuja estréia esperei ansiosamente ou naqueles que cheguei cinco minutos antes da sessão perguntando para a pessoa ao lado “o que vamos ver mesmo?” (como Bend it like Beckham que vi pelo Festival do Rio também no cine Leblon).

No caso do Leblon, foi mais do que isso. Foi uma relação importante que ajudou a construir minha cinefilia, mesmo com o perfil mais blockbuster de seus filmes - ao menos de 95 para cá, quando começam minhas memórias. Quando comecei a estudar no turno da tarde em um colégio a dois quarteirões de distância do cinema, não havia opção melhor para às 6as feiras à noite. O programa virou rotina (quando a mesada permitia e havia novidade em cartaz, afinal eram só duas salas com um filme em cada) e me fez perceber que os filmes eram, para mim, mais do que um simples pretexto para continuar papeando com os amigos depois do colégio. A saudosa locadora "Abracadabra" também no bairro completava com vhs antigos e alternativos a espera por novas estréias.

Foi no Leblon que fiquei tensa na cena do Tom Cruise pendurado pelos ares em Missão Impossível (96), vi o filme mais esperado de 1997 (Titanic, que projetou Di Caprio entre as coleguinhas da 4a série) e descobri questões filosóficas vendo O Show de Truman no ano seguinte. Anos depois esse cinema acolheu o auge da minha empolgação por Tarantino, projetando o tão esperado Kill Bill 2 no Festival do Rio e também meu preferido desse diretor: À Prova de Morte.

Aparentemente essa semana o cinema Leblon interrompeu suas atividades, sem muita definição sobre se e quando retornará à ativa. Foi um baque para mim, que mesmo após o fim da minha fase assídua, sempre fiz questão de retornar. Até sua última sexta-feira (27/6), em que me despedi da suas sessões de estréia assistindo ao lindo Jersey Boys (do Clint Eastwood, sobre Frankie Valli and the Four Seasons).

Apenas posso imaginar como isso deve ter afetado quem viveu os tempos áureos do cinema de rua, numa época em que Cinelândia não parecia um nome aleatório de uma estação de metrô. Afinal, o Odeon, local de inesquecíveis noites de gala do Festival do Rio com presença de diretores e elenco dos filmes exibidos, também está parado.

Espero que se encontre um modelo de negócios que viabilize a manutenção das salas e que o "adeus" do título desse post se revele como um "até logo". Em todo o caso, fica aqui meu agradecimento pelas excelentes experiências nesse local que me fazia me sentir em casa.