sábado, 4 de outubro de 2014

Chartres



Se nas cidades do vale do Loire chegávamos tão tarde que não podíamos visitar as igrejas, em Chartres não tínhamos essa opção. O trajeto de volta a Paris foi traçado passando por lá exatamente pela intenção de conhecer essa catedral considerada a mais representativa e mais completa da arquitetura gótica.

E valeu a pena, como até minhas fotos fraquinhas conseguem demonstrar. A catedral Notre Dame de Chartres, com suas torres de estilos diferentes na fachada, portais com lindas esculturas tanto no acesso frontal quanto nas laterais, e recheada de vitrais belíssimos, é também cheia de histórias e surpresas.

A cidade de Chartres não tem edifícios muito altos, o que permite avistar a Catedral desde a estrada e ficar curtindo sua aproximação.


Torres da catedral através dos fios de energia e construções da cidade

A fachada impressiona pela assimetria das torres e combinações de estilos

Já na entrada principal temos muitos elementos para apreciar. Além das torres, a bela rosácea e o chamado Pórtico Real (portail Royal) dão uma amostra da quantidade de detalhes que podemos contemplar por horas nessa igreja.

A flecha Norte tende mais ao estilo gótico que seu par romano à direita. Isso ocorre pois foi construída após o incêndio de 1194, ao qual apenas a parte inferior da torre sobreviveu. O site oficial de Chartres traz uma fotografia editada para reconstituição dessa época que pode ser vista clicando aqui.

A Rosácea foi acrescentada para compensar a diferença de altura entre as torres

O pórtico, considerado uma das maravilhas da arte romana por suas esculturas de meados do século XII, representa a vida e o triunfo do Salvador. Os personagens apresentam corpos rígidos, porém rostos detalhados - dentre eles profetas, padres e reis e rainhas da Bíblia.

Relevos que datam de 1145 recepcionam o visitante

Detalhe das colunas que sustentam as esculturas na lateral das portas

Antes de entrar, optamos por contornar a igreja e apreciar seu exterior como um todo.

Logo vimos uma das marcas de Chartres - o telhadinho esverdeado. Na sequência nos impressionamos com os portais laterais, com personagens mais vívidos que os do acesso principal.

Telhadinho verde e a flecha norte

Vista impactante do portal Norte, esculturas narram histórias do Antigo Testamento

Acima do portal, estrutura com outra rosácea

Comparar os portais Norte e Sul parece jogo dos sete erros, embora o status da restauração seja uma diferença gritante

Podemos notar uma maior liberdade nos retratos dos personagens desse portal, passando uma noção de naturalidade maior que a rigidez das esculturas da fronte.

A coroação de Maria

Melquisedeque, Abraão, Moisés, Aarão e David

Em seguida passeamos pelos fundos (chevet) da igreja. Se no post sobre Vendôme falei que essa parte sempre me agrada, não posso negar que em Chartres temos um chevet especial.

O telhado verde com estátua de anjo na ponta é um destaque, como o panorama formado pela vista externa das capelas e arcobotantes que sustentam o altar principal.







O anjinho nos surpreendia em diversos ângulos

Patrimônio da UNESCO

Nos fundos da lateral Sul, vemos acessos mais alternativos à Igreja, que fazem imaginar o fluxo de pessoas no preparo de uma missa importante.


Sensação de backstage

De volta à entrada principal, mais um anjo, dessa vez segurando um relógio solar.



O interior da Catedral é um capítulo a parte. O pé direito chega a 37 metros de altura, um recorde à sua época. Por conta disso, e dos impressionantes vitrais - mais azulados pessoalmente que nas fotos - tornam o altar majestoso.

Altar iluminado pelos vitrais

A bela estrutura de sustentação que permite esse pé direito impressionante

Os imensos e inúmeros vitrais trazem as cores das pedras preciosas da Jerusalém retratada no Apocalipse.

O colorido dos vitrais e da luz emanada por eles



Rosácea

Encontrar a luz pela igreja torna a experiência da visita muito especial.

Portal do Paraíso - Stairway to Heaven

Por fim, outro símbolo de Chartres é o labirinto desenhado no chão da nave, uma sucessão de arcos e círculos concêntricos. Há quem diga que inspirado no labirinto de Creta, do episódio mítico de combate ao Minotauro.

Só descobrimos isso ao visitar, mas quem pretende se planejar para ir a Chartres, todas as sextas de 12h à 17h as cadeiras são retiradas para maior apreciação do labirinto.


Labirinto e o altar

Espécie de maquete do Labirinto - imagem representada em camisetas de souvenir de Chartres

Na saída, demos uma pequena volta no entorno à procura de um lanchinho (crepe delícia) para seguir viagem.


Para quem ainda duvida do impacto de Chartres, segue trecho do filme Verdades e Mentiras do Orson Welles em que o diretor narra um monólogo sobre a catedral (infelizmente não há legendas).





Prontos para seguir para Paris!

domingo, 21 de setembro de 2014

Vendôme


Vendôme se localiza no ponto onde o rio Loir se divide em pequenos córregos, trazendo à cidade o charme de uma pequena Veneza ou Amsterdam.

Faço aqui uma pequena pausa para explicar que o "Loir" acima não é um erro de digitação. É um rio diferente do maior e célebre Loire com "e" - o do vale e seus castelos. E como um dos hobbies preferidos dos franceses é confundir os outros, eles nomearam de forma parecida (basicamente o mesmo som de "Luar") um rio que é afluente do outro. Ou talvez eles tenham demorado a se tocar que eram rios distintos. Mas para diferenciar oralmente, pelo menos eles chamam o afluente menorzinho de "Le Loir" e o maior boladão de "La Loire".

Atravessamos o portão medieval para conhecer a Vendôme intra-muros, com belas paisagens naturais e construções de diversas épocas. Andamos meio sem rumo em busca de um restaurante para almoçar.

Entrada de Vendôme - portão medieval após ponte sobre o Loir


Parque agradável deu vontade de um piquenique

Be em uma pontezinha fofa que servia de calçada sobre o Loir



Almoçamos no restaurante da foto la de cima, que escolhemos por conta do visual. O ambiente foi super agradável, mas o serviço foi bem demorado e os pratos não impressionaram.

Seguimos para a principal atração - a Abadia da Trindade, fundada em 1032. A fachada em estilo gótico flamboyant é impressionante, e teve impacto ainda maior para nós que começamos o trajeto pelos fundos, adentramos o claustro e somente em seguida nos deparamos com a entrada principal.


Torre do relógio avistada no começo do passeio - até aí tudo bem ;)

Posso até achar todos meio parecidos, mas sempre adoro os fundos das igrejas góticas

Gárgulas, arcobotantes e vitrais já são um show, com sol e céu azul então!

O claustro faz a gente se sentir pequenininha, do tamanho de um botão

Deu pra sentir o "aconchego do claustro" que Bilac descreveu

Próximo à fachada os pináculos se tornam mais flamboyants (flamejantes)
A fachada que deveria estar no dicionário após a palavra flamboyant


Contraste da fachada gótica da igreja com a torre romana próxima

Contraste impressionante também o da parte restaurada da fachada com o aspecto sujinho do restante.
Deu vontade de voltar lá quando terminarem a restauração!

Continuamos nosso passeio no vieux Vendôme (cidade antiga) apreciando as demais construções e claro, os canais.




Estátua de Rochambaud, que lutou ao lado de Washington pela independência americana

Casa medieval abrigando restaurante agradável

Rochambaud de perto

Jardim primaveril

Mais um canal :)

Estátua do poeta Ronsard, nascido em Vendôme 

Eu e o Loir

Foi um passeio curto, mas extremamente agradável. Uma boa pausa para esticar as pernas no meio da estrada. Recomendo fortemente!

Seguimos para a incrível Chartres.