domingo, 14 de dezembro de 2014

Cartagena



Conheci Cartagena em 2011 quando participei de um projeto de consultoria na Colômbia. Mesmo sem companhia, decidi passar um fim de semana nessa cidade que tantos recomendavam pelo charme de suas casinhas coloridas (à la Paraty) e a possibilidade de aproveitar o mar do Caribe.

Tive pouco tempo, o que exigiu um roteiro bem simples. Cheguei na sexta à noite bem tarde (depois de um super atraso no vôo da Avianca) e fui direto pro hotel. No sábado acordei cedo para fazer um passeio de barco pelas Islas del Rosario e na volta perambulei pelo agito noturno da cidade. E enfim, no domingo, passeei com calma pela cidade, tentando aproveitar todas as recomendações gastronômicas em um dia só. De tardinha conheci o Castillo San Felipe e peguei minhas malas para voltar para Bogotá.

Procurei, seguindo as ótimas dicas de um amigo do trabalho, ficar hospedada em um hotel na parte intramuros da cidade, que é contornada por um cinturão fortificado. Acabei escolhendo um na Puerta del Reloj, cuja pontinha da torre podia ser vista na área da piscina da cobertura.

Puerta del Reloj e a passagem do centro histórico para a moderna cidade extramuros

Pontinha da torre do relógio vista da piscina

No passeio noturno de sábado segui para a recomendação que me pareceu mais interessante: Café del Mar, localizado em cima da murada e que aparece na capa desse post. Gostei tanto que voltei lá no domingo!



Continuei o passeio apreciando a decoração natalina da cidade até chegar em outra recomendação, o bar Donde Fidel, com um dj muito peculiar tocando salsa a noite toda.

Jingle Bells

Queria voltar no tempo e tirar uma foto melhorzinha... DJ do Donde Fidel, com pochetinha e dvds

Decoração à base de fotos com o dono do local

O passeio de domingo começou com uma volta na muralha que contorna a cidade, no sentido do Museo de las Fortificaciones e do Centro Artesanal Las Bovedas. Não demorei muito a encontrar um brasileiro que reconheceu meu portunhol e me acompanhou no passeio (enfim pude aparecer nas fotos sem precisar de selfie!).

Eu nas muralhas


Centro Artesanal las Bovedas - muitas cores como em toda a cidade

Centro artesanal visto de cima

Bem pertinho do centro artesanal fica o museu das fortificações que é localizado no interior da muralha e conta um pouco da história da cidade, além de exibir alguns vestígios da construção das fortalezas.


Museu no interior da Fortaleza

Painéis contando as batalhas do Caribe

Vestígios do Museu



Segui para conhecer a Cevicheria, com decoração fofíssima e, claro, ceviches deliciosos (a maioria à base de camarão, mas com algumas alternativas para os alérgicos).


Cores da Colômbia

Feliz com meu pedido!

Limonada de côco e ceviche de polvo - que viva el mar!

Estômago forrado, foi o momento de flanar pelas ruelas de Cartagena e observar as cores e detalhes da cidade.


Azulejos lindos indicando os nomes das ruas
Casinhas coloniais

Jardim de inverno de um hotel sinistrão

Cidade colorida

As cores e texturas são constantemente renovadas para dar o ar rústico da cidade

Man at work

Cores e flores

work in progress

Os detalhes são mesmo uma graça e tornam o passeio mais divertido.


Puxadores de porta

A famosa rua da amargura!

Foi uma delícia passear, mas precisava voltar às minhas pendências gastronômicas e conhecer a melhor Limonada de Coco da Colômbia na padaria Mila.

O que seria uma limonada de coco? Basicamente uma limonada batida com leite de coco, bem encorpada e refrescante. Sendo um hit da Colômbia, já apareceu aqui no post (na parte da Cevicheria). Mas a da Mila é realmente um capítulo a parte, parecia um milk shake!



Limonada de Coco mara

Docinhos da padaria/confeitaria/lanchonete

Segui para uma última voltinha cultural antes de pegar um táxi para o Castillo San Felipe.

Catedral Santa Catalina de Alejandría

Museu Naval

De volta à Puerta del Reloj

Hotel que fiquei hospedada (o branquinho) e escultura ao fundador de Cartagena


Depois do passeio no Castillo não resisti e voltei ao Café del Mar. Afinal, tinha uma plaquinha dizendo que serviam "poneres del sol", e eu já tinha perdido o momento-sunset na véspera. Voltei então para uma última Club Colombia antes de voltar a Bogotá.

Mar, canhões e bandeira da Colômbia

Vista para a parte moderna da cidade
Versão ruiva da Club Colômbia = felicidade


Encerrando o passeio em grande estilo.

Tintim!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Andres Carne de Res


Quem me pergunta o que tem de bom em Bogotá sempre ouve a mesma resposta: "não deixe de ir no Andres". Esse misto de restaurante-bar-night impressiona a todos que o frequentam com sua decoração esplendorosa e seus animadores.

"Animadores tipo festa infantil? Que tosco!" Bom, tosqueira não é exatamente um defeito do ponto de vista do Andres. A casa tem orgulho de ser kitsch, toda trabalhada no excesso e na combinação de itens rústicos e bem humorados. E fica o máximo. Talvez as fotos dos funcionários fantasiados não expressem a alegria contagiante do lugar, mas posso atestar que é bem difícil sair de lá sem um sorriso no rosto.


Sorriso após receber uma faixa de boas vindas de um animador

O Andres tem duas filiais: uma no centro de Bogotá (Andres D.C.) e a original, localizada na cidade de Chía - 10 km ao norte de Bogotá (Andres Carne de Res). Eu tive a sorte de conhecer as duas :)

Comecemos por Bogotá, já que é mais acessível para os visitantes dessa cidade.

Localizado no shopping El Retiro, na agitada Zona Rosa, a filial da capital recebe o nome D.C. em homenagem à Divina Comédia de Dante. A casa conta com quatro andares, cada um dedicado a um reino da Comédia: Inferno, Terra, Purgatório e Céu. A decoração mistura o pagão com o divino, anjinhos, diabinhos, etc.

Escadas conectando os reinos

O reino da Terra visto do Purgatório - desculpem as fotos tremidas!

O restaurante é cheio de sacadas: além da decoração que impressiona mesmo parecendo low cost, as mesas têm nomes em vez de números e as etiquetas com nome dos garçons ficam nas costas.


Corações alados sobrevoam as mesas que não têm números, mas nomes

Canos expostos são incorporados à decoração cheia de ferro e madeira

Uniforme fofo das garçonetes

Porque o momento em que a gente realmente precisa saber o nome do garçom é quando ele está de costas

A louça é um capítulo à parte: também toda rústica, os itens podem ser adquiridos como souvenir na lojinha. E faz o maior sucesso com as visitas em casa depois, além de trazer uma história para contar.


Prato rústico - o coração aparece frequentemente nas louças

Os enormes copos dos drinks parecem um côco aberto
Banda animando a galera e copos de "Mojito" à mesa

Mojitão



Se um dos temas do restaurante é o inferno e é bem sabido que diabo está nos detalhes, pode ter certeza que cada milímetro do restaurante é feito para tornar a experiência única.

As garrafas de bebida usadas para drinks são personalizadas, e as long necks levadas à mesa trazem borboletas em papel crepom. Mas não são quaisquer borboletas - são as "mariposas amarillas" do livro Cem Anos de Solidão do colombiano Gabriel García Marques.


Mariposas Amarillas do Gabo

Em Chía, temos a matriz Andres Carne de Res, inaugurada nos anos 80 e que hoje ocupa um espaço enorme na cidade.

Fui de carro com amigos que moravam lá, e antes do Andres demos uma esticada até a cidade de Cajicá, com uma estação de trem super fofa e lojas de tapetes bem em conta.

Meu amigo Maurício na estação de trem


Lojinhas

Diferentemente do Andres D.C., que fui num happy hour (se deixar para muito tarde fica lotado!), no Carne de Res fomos almoçar. Foi ótimo assim, pois deu para curtir bem os ambientes externos do restaurante.


Pode levar pra casa?

Mais corações

Mauricio em um dos acessos ao restaurante

O Che representando os fumantes do restaurante

Mesinhas ao ar livre

O Valet é um carrinho com placa e tudo

Dá fácil para perceber que o número de detalhes do Carne de Res é ainda maior que o D.C., transbordando informação. É difícil colocar legenda nessas fotos, se preparem para a enxurrada!









Simplesmente não dá para ficar quieto na mesa. Passear pela extensão do restaurante, de preferência com a câmera na mão, é imperativo.

Outro mojitão

Gláucia e Alexandre, queridos que levaram os turistas para passear!

Eu em um cantinho cheio de detalhes

 No mesmo espaço, mais tarde, teve apresentaçãozinha de dança das funcionárias.


Dancinha medieval?



Com tanto detalhe para mostrar, quase esqueci de falar da comida! Adorei comer lá, as carnes são excelentes, estilão churrasco argentino (parrilla) com acompanhamentos colombianos (arepas).


Carnes sendo preparadas... hmm!

Depois de algumas compritchas na loja, voltamos para Bogotá.

Mauricio também ganhou faixa

Tanta coisa divertida e gostosa que fica até difícil dizer qual filial eu gostei mais. Não deixem de conhecer!

Para visitar o site oficial do Andres, clique aqui!

Bônus - as lembrancinhas que comprei pra casa:

Potinho que usamos pra servir amendoim e gueriguéris



Copinho de shot no estilo rústico

Servindo o licor espanhol 'Cuarenta y Tres'




quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Bonequinha de Luxo



No último mês de Julho a rede Cinemark reexibiu alguns clássicos do cinema, dentre eles o maravilhoso Breakfast at Tiffany's.

Depois de ver essa obra prima do Blake Edwards na telona, saí decidida a ler o livro que permitiu que um filme tão lindo acontecesse. Até para conhecer um pouquinho da obra do célebre Truman Capote.

Nem preciso dizer que é muito particular essa sequência de ver o filme antes de ler o livro que o originou. Os mais puristas devem se retorcer pensando nessa leitura enviesada, associando o texto a imagens do filme que diferem de uma imaginação ainda não maculada pela projeção.

E mais estranho que ver um filme que não corresponde às suas ideias dos personagens é constatar as diferenças lendo depois - sensação esquisita de estar diante de uma carta reveladora que vai te fazer relembrar os fatos com outros olhos.

Mas olha, adorei! Mesmo o livro despertando sensações totalmente diferentes do filme.
Claro, afinal o livro não tem trilha sonora do Henry Mancini, nem os trejeitos encantadores da Audrey. E não mesmo, porque a Holly Golightly do livro é uma loira de olho azul! E às vezes parece mais uma ~outra coisa~ de luxo do que a bonequinha mais recatada (bom, também não é pra tanto!) do filme.

Mas apesar de detalhes como esse parecerem cruciais, a semelhança entre os textos é impressionante.
Os diálogos do filme são réplicas exatas do livro, e ver no papel as excelentes tiradas da Holly e falas encantadoras de outras personagens me fizeram reviver momentos deliciosos da película e valorizar ainda mais essa escrita inteligente e cativante do Capote.

"It should take you about four seconds to walk from here to the door. I'll give you two."
"A girl can't read that sort of thing without her lipstick."

Por outro lado, o filme é desenrolado sem narração, de forma onipresente, costurando cenas de ambientes com ou sem a Holly, com ou sem os demais personagens. O que gera uma grande surpresa ao abrir a primeira página do livro e perceber que o livro é narrado em primeira pessoa pelo Paul! E ainda nessa mesma página vemos que os desfechos serão bem diferentes.

Toda essa diferença entre as obras me fez pensar em outro filme, "Miranda e Miranda" do Woody Allen. Não lembro de ter gostado muito não, mas tinha uma premissa bem bacana: contar a mesma história duas vezes - uma como um drama e outra como uma comédia. Mas a verdade é que essa sensação agridoce da obra já é prevista por Capote.


Capote te prende na trama. Desenvolve personagens cheios de imperfeições verossímeis (ciúme, vaidade, orgulho) porém repletos de particularidades charmosas e igualmente críveis. Mas para mim, é na escolha de palavras que ele conquista. Pelo menos é sempre assim que os autores me conquistam.

"There was a consequential good taste in the plainness of her clothes, the blues and grays and lack of luster that made her, herself, shine so."
"(...) she received V-letters by the bale. They were always torn into strips like bookmarks. I used occasionally to pluck myself a bookmark in passing. Remember and miss you and rain and please write and damn and goddamn were the words that recurred most often on these slips; those, and lonesome and love."

Apesar de diferenças de trama que eu não poderia detalhar aqui sem spoilers, uma diferença que mais me impressionou não interfere na trama. No livro, Holly não vai nunca tomar um café da manhã em frente à Tiffany's. Aquela cena lindíssima de abertura, que define a personagem da Holly em segundos - vivendo num caos com o mais alto grau de elegância - é cem por cento Blake Edwards.


Enquanto no livro, o título é uma brincadeira em cima das falas de Holly, que também a definem com êxito:

"I want to still be me when I wake up one fine morning and have breakfast at Tiffany's."
"If I could find a real life place that made me feel like Tiffany's, then I'd buy some furniture and give the cat a name!"

Fiquei pensando como seria o filme sem a cena do café da manhã. E cheguei a conclusão de que o livro é perfeito. Mas ainda bem que o filme é diferente.

Perfeito também.